ESPETÁCULO INFANTO-JUVENIL “SERTÃO URBANO” REFLETE SOBRE MIGRAÇÃO NORDESTINA E RACISMO AMBIENTAL A PARTIR DE TRAVESSIA DE MENINA DURANTE UMA ENCHENTE

Propondo uma reflexão sensível e visceral sobre as tensões e os diálogos entre o sertão e a metrópole, o rural e o urbano, a tradição e a modernidade, o espetáculo infanto-juvenil “Sertão Urbano” acompanha a trajetória de Laura, uma menina de 10 anos que parte em busca de uma planta medicinal capaz de salvar a vida da avó. No caminho, a protagonista enfrenta uma cidade atravessada por alagamentos, desigualdades e encontros transformadores. Com Ana Portela, Letícia Esteves, Liv Olivier, Le Felipe e Iza Pereirano elenco e realização da Cia Atores da Fábrica, a obra se apresenta no Teatro Glauce Rocha neste sábado (2), e permanece em cartaz até 31 de maio, com apresentações aos sábados e domingos, sempre às 16h. Ingressos nos valores de R$40 (inteira) e R$20 (meia).

Ao propor uma narrativa musicada, em que os atores cantam e tocam instrumentos em cena, a montagem busca estabelecer um impacto cativante no público infanto-juvenil, mas sem deixar de dialogar com espectadores adultos. Por meio de personagens cômicos e afetivos, o espetáculo amplia o olhar sobre territórios historicamente estigmatizados e convida o público a revisitar as próprias percepções. “A gente está acostumado a pensar a favela como um lugar de perigo, como um espaço associado à violência. Dentro da história, esse sentido é ressignificado. A favela passa a existir enquanto comunidade e resistência, enquanto pessoas que se ajudam e se juntam em torno de um objetivo comum”, explica Alexandre O. Gomes, criador e encenador do espetáculo.

A obra aprofunda essa reflexão ao apresentar a favela também como uma planta medicinal. Uma planta que realmente existe, conhecida por suas propriedades cicatrizantes e anti-inflamatórias. Ao trazer esse elemento para a narrativa, “Sertão Urbano” resgata saberes ancestrais e provoca uma revisão crítica acerca do significado da palavra. “Muitos não têm conhecimento da origem da palavra ‘favela’, e o espetáculo traz essa história à tona a partir da relação entre o Nordeste, a Baixada Fluminense e a jornada dessa menina em busca da cura para salvar sua avó. Esse processo acaba mobilizando o público juvenil e adulto a rever certos preconceitos e compreender a potência desses territórios”, completa.

“Serão Urbano” estabelece um vínculo direto com a ancestralidade nordestina de Laura e com o impacto que o êxodo rural ainda exerce sobre as famílias brasileiras. O espetáculo tem como cenário a Baixada Fluminense, região historicamente marcada pela migração nordestina. “O espetáculo emerge dessa investigação com a intenção de tensionar a relação entre o sertão e o espaço urbano, entre a seca do Nordeste e as inundações que marcam o cotidiano da Baixada. A gente passou a enxergar esse território como um outro tipo de sertão, um sertão urbano, que vai além do literal e também diz respeito ao sertão que existe em cada um de nós, que resiste e se reinventa”, reflete Alexandre.

O espetáculo aborda urgências contemporâneas, como o racismo ambiental e os impactos das desigualdades sociais nas periferias, especialmente na Baixada Fluminense, onde enchentes e alagamentos fazem parte da realidade cotidiana. Para o ator Le Felipe, que integra o elenco, a obra nasce de experiências concretas desse território: “Todos os temas abordados na peça têm relação direta com a vivência desse lugar. Existe um racismo ambiental que a gente enfrenta todos os anos, com enchentes cada vez mais intensas atingindo principalmente as áreas mais vulneráveis. O espetáculo fala dessa realidade, da nossa relação com a natureza e com o lugar onde vivemos.”

SINOPSE

Cinco atores conduzem a narrativa da jornada de Laura, menina nordestina de 10 anos que vive com a avó, Dona Carmem, em Jardim Paraíso na Baixada Fluminense. Quando a avó adoece e precisa de um remédio feito do sumo da planta Favela, Laura parte em busca da cura. No caminho, uma chuva de granizo alaga a cidade e interrompe o trajeto do ônibus em que está. Com medo de não chegar a tempo, decide seguir a pé pelas ruas inundadas. Em sua travessia, encontra personagens que transformam a dureza da vida em poesia: Neco Batuque, catador que faz música do lixo; Bianca Doçura, cordelista; Manu Polivalente; e Dona Guiné, guardiã de saberes ancestrais, que a ajudam a enfrentar os desafios da cidade para salvar sua avó.

SERVIÇO

Local: Teatro Glauce Rocha

Endereço: Av. Rio Branco, 179 – Centro, Rio de Janeiro

Temporada: 02 a 31 de maio

Dias e horários: Sábados e domingos, às 16h

Ingressos: R$ 40 (inteira) | R$ 20 (meia)

Classificação: Livre

Duração: 60 minutos

FICHA TÉCNICA

Texto e encenação: Alexandre O. Gomes

Direção musical: Bruno Medsta

Cenário e figurino: Alessandra Fernandes

Iluminação: Alexandre O. Gomes

Elenco: Ana Portela, Letícia Esteves, Liv Olivier, Le Felipe e Iza Pereira

Mídias digitais: Manuela Moura

Maquiagem: Maria Eduarda Portugal

Direção de produção: Alessandra Fernandes

Assistente de produção: Manuela Moura

Fotos: Gabriela Magalhães

Realização: Cia Atores da Fábrica

Assessoria de Imprensa: Monteiro Assessoria

ESTE É UM ESPETÁCULO DA CIA ATORES DA FÁBRICA

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